Carlos Maltz
Carlos Maltz - Brazilian drums player
Person
Genres: brazil, brazilian
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About Carlos Maltz
Nasci porto-Alegrense às 18 horas do dia 24 de Outubro de 1962. Bem no meio da tal da “crise dos mísseis de Cuba”, momento em que o nosso mundo esteve mais próximo de ir para o beleléu. Com a graça de Deus, não foi. Tive uma infância fácil e bucólica, criando países onde eu era o presidente, supremo sacerdote e chefe das forças armadas. Em 1975, o Inter de Porto Alegre ganhou o primeiro campeonato Brasileiro para o Rio Grande do Sul. Eu era “colorado” doente. Em 1976 entrei para a “camisa 12”. Vivia grudado na “charanga”, doido pra bater tambor. Um dia, sobrou um “Supapo”, que é um surdo de resposta que se toca com a mão. é um trem muito grande e ninguém queria encarar. Encarei. Passei a ser o único branco na “charanga” do Inter. Em 1979 chegou o vestibular. Meu pai falou: “Se passar, ganha um fusca”. Passei em Engenharia, chutando todas as questões da prova de Matemática e Física. Troquei o Fusca por uma bateria “Pinguim” madre-perolada e passei os três anos seguintes perturbando os vizinhos tentando tocar Pink Floyd, Led Zeppelin e Zé Ramalho, que naquele tempo era “da Paraíba”. Materialista e ateu, tinha pôster do Che Guevara na parede. Minha passagem pela Engenharia foi rápida (rapidíssima). Na segunda aula de “geometria analítica”, lá estava eu, boiando e olhando pela janela. Do outro lado da rua, a faculdade de Arquitetura cheia de gatinhas com aquelas réguas “T” imensas… Tchau Engenharia. Em 1982 interrompi os estudos para conhecer a terra de meus antepassados. Na verdade, sempre fui um Judeu relutante. Nunca me identifiquei muito com esse lance de ser “separado”, “diferente”. Era ateu, mas sempre achei que no fundo, nóis semo tudo é “Farinha do mesmo saco”. Mas tinha uma namorada Judia. E ela foi pra Israel me deixando na maior saudade. Convenci meus pais de que seria “uma boa experiência” conhecer e trabalhar num “Kibbutz”, arrumei a grana, e fui. Um dia, o pessoal do Kibbutz fez uma viagem para o Norte do Pais, foram visitar as ruínas de um templo muito antigo. Fui junto. As ruínas, na verdade, eram apenas um buracão no chão, cheio de barro. Vinha um cara com uma mangueira e ia molhando o chão. O chão era um piso. Maravilhoso. Cheio de mosaicos, estrelas de seis pontas, candelabros de sete velas, os leões de Judá, e vários outros símbolos sagrados da religião dos meus pais. E em volta de tudo, um Zodíaco, igualzinho ao que saía todo dia na página final da “Zero Hora” de Porto Alegre e que eu achava a coisa mais brega e picareta que existia. Deu um nó na minha cabeça. Voltei para o Brasil no final daquele ano, ainda materialista e ateu, mas minha consciência havia sofrido um abalo profundo, que anos mais tarde veio a mudar toda a minha vida. No Brasil, fui estudar arquitetura. O ano de 1984 foi marcado por uma greve dos alunos das universidades federais, não me lembro mais o motivo, mas ficamos recuperando o tempo perdido em dezembro e no começo de janeiro de 1985. No dia 11 de janeiro de 1985, em comemoração ao término do ano letivo, o pessoal do diretório acadêmico da faculdade de Arquitetura promoveu uma festa, cuja atração principal era uma banda formada unicamente por alunos da faculdade. Desde o vestibular, em 80, quando ganhei minha primeira bateria, vinha tocando em grupos amadores, gostava muito da “coisa” mas nunca cheguei a pensar em encarar profissionalmente. Quando o pessoal da faculdade veio com o convite para a festa do dia 11, achei divertido. Já tinha tocado algumas vezes com o Carlos Stein (que veio a ser o guitarrista da banda “Nenhum de Nós”). E, uma vez, com o Humberto Gessinger que na época tinha uma guitarra semi-acústica, e fazia umas letras bem “esquisitas”. Eu, Stein, Gessinger e um cara da faculdade que tocava baixo, o Marcelo Pitz fizemos então a primeira formação dos “Engenheiros do Hawaii”. Quem inventou o nome foi o Gessinger. Era uma “tiração de sarro” em cima dos caras da Engenharia que viviam no bar da arquitetura atrás das “nossas meninas”. Tinha a ver com “surfista calhorda”, aqueles caras que não surfam nada e ficam passeando com a prancha em cima do carro para impressionar a galera. O show foi um sucesso e acabamos sendo convidados para tocar em uma casa noturna chamada “433”. Passamos o verão ensaiando, e em março, já como um trio (Humberto Gessinger na guitarra e voz, Marcelo Pitz no baixo e vocais e eu na bateria), começamos uma temporada de shows que acelerou o caminho para a profissionalização. Rapidamente estávamos gravando umas fitas-demo com os primeiros sucessos do grupo: “Spravo”, “Segurança” e “Sopa de Letrinhas”. Ao contrário do que acontece hoje, algumas rádios da época, especialmente a “Rádio Ipanema FM”, tinham um espaço aberto para a produção local, e nossas fitas começaram a tocar diariamente. Aproveitando o sucesso, começamos a viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, ganhando algum dinheiro e muita experiência. Ainda em 85, um curso pré-vestibular de Porto Alegre organizou um festival reunindo as 10 maiores bandas da cidade no “Gigantinho”. éramos uns novatos, ilustres desconhecidos, mas as músicas estavam “pipocando” na rádio “Ipanema”. Ocupamos a 10ª vaga. Um “olheiro” da Gravadora RCA assistiu o festival. Escolheu cinco bandas e fechou um contrato para a gravação de um “pau-de-sebo”: o “Rock Grande do Sul”.Lá estavam os ilustres desconhecidos. Os favoritos eram “Replicantes” e “Garotos da Rua”. Eles foram para o Rio, gravar no estúdio principal, e para nós sobrou um estúdio semi-abandonado em São Paulo. Era um lugar congelado no tempo, parecia que tínhamos voltado para os anos 60. Desde o produtor, até os instrumentos, passando pela decoração do estúdio, tudo cheirava à “Jovem Guarda”. Gravamos “Sopa de Letrinhas” e “Segurança” e fomos a “zebra” da coletânea. Em poucos meses estávamos de volta a São Paulo (dessa vez, por nossa livre e decidida vontade), para gravar o nosso primeiro disco. Saímos de Porto Alegre com o conceito do disco elaborado. Era o tempo das bandas urbanas: “Legião”, “Plebe”, “Paralamas”, “RPM”, “Capital”. Queríamos chegar com uma cara mais romântica, por isso aquela paisagem bucólica e o nome “Longe Demais das Capitais”. O disco tocou de “A a Z” e nós nos tornamos uma banda nacional. éramos, em pouco mais de um ano, um dos maiores fenômenos de sucesso de um artista da música do Rio Grande do Sul de todos os tempos. Com uma produção semi-caseira, ainda ensaiando na casa dos meus pais em Porto Alegre, lotávamos ginásios no Brasil inteiro. “Congelamos” a faculdade. éramos músicos profissionais. No começo de 87, já estávamos preparando o próximo: “ A Revolta dos Dândis”. Marcelo Pitz, que era um cara meio zen, não agüentou o estilo neurótico-maníaco-depressivo que os “Engenheiros” cantavam e viviam e, caiu fora antes do começo das gravações. Mais ou menos naquela época, fui a um show da banda “Echo and the Bunnymen”, no Canecão, no Rio. Fiquei um tempão trocando idéia com o Augusto Licks, que era guitarrista do Ney Lisboa, um antigo ídolo nosso de Porto Alegre. Quando cheguei no hotel, falei pro Humberto: “Cara, tu não vai acreditar, sabe com quem eu tava falando? Com o Augusto Licks.” E ele: “Vamos convidar o cara para entrar na banda”. Quando o Pitz saiu, ficamos eu e o Humberto ensaiando sozinhos. Ele havia comprado um dos baixos Rickembaker do Pitz e precisávamos de um guitarrista. Augusto aceitou. Em poucos meses estávamos no estúdio gravando “ A Revolta dos Dândis”. Aquele disco marcou o início de uma parceria que durou até 1994, rendeu 7 discos. Todos eles foram “disco de ouro” e um “O Papa é Pop” alcançou a Platina, que naquela época era para vendagens acima de 250.000 cópias no primeiro ano de vendas do disco. O trio ”GLM” escreveu o seu nome no panteão do rock brasileiro. Fomos amados, odiados, bombardeados pela crítica, lotamos ginásios, fomos a Moscou, Japão, Estados Unidos e nos separamos em 1995, sem nenhuma elegância. Em 1992, no dia em que completei 30 anos, fui com minha mãe a uma livraria em Porto Alegre. Ela pediu para que eu escolhesse o meu presente de aniversário. Comprei um livro fininho: “Astrologia para Principiantes”, não me lembro o autor. Nos três anos seguintes, comprei e “devorei” praticamente tudo que foi lançado sobre Astrologia no Brasil. Aquilo fazia mais sentido para mim do que qualquer coisa que tinha me acontecido até então. Aqueles três anos em que eu ainda permaneci na banda, foram basicamente tempos de estudo. Hoteis, aeroportos, aviões, onde quer que eu estivesse, estava com um livro de Astrologia junto. Mais ou menos na mesma época, conheci a obra do psiquiatra suíço C.G. Jung. O “sopro” de Jung é inclemente, ou nos transformamos, ou nos transformamos. Não sou de pular fora. Comecei a questionar o nosso modelo neurótico-maníaco-depressivo. Os “Engenheiros do Hawaii” tornaram-se uma roupa apertada demais para mim. E eu, um estranho no ninho da banda. Quando fomos aos Estados Unidos, em 1995, já sem o Augusto, já não éramos mais uma banda. Éramos um bando de gente, cada um atirando para um lado. A tour do “Simples de Coração”, disco que gravamos lá, não decolou. Estávamos, eu e o Humberto, separados, divididos. Uma época de minha vida havia chegado ao fim. No verão de 96, conheci o Marcus Melgar, que era guitarrista da banda do Nilson Pereira, que foi o meu roadie durante a maior parte do tempo em que estive nos “Engenheiros”. Começamos a ensaiar no estudiozinho que eu tinha no meu apartamento em Ipanema, no Rio. Logo o Marcus trouxe os seus irmãos Eduardo “Duca” Mendes e Alexandre Mendes, e um outro “brother” lá da Ilha do Governador, o baixista e piloto de helicóptero Gustavo Carneiro Leão. éramos a “Irmandade”. Virei letrista e cantor. No final de 96, comprei um gravadorzinho “Tascan” de 8 canais. Começamos a gravar uma “demo” que virou o nosso primeiro CD: “Irmandade”. ( que você pode ouvir e baixar inteiro na sessão de música do site) Gravamos ainda mais um mini-cd, com 4 músicas, no estúdio “Rock House”, e um CD auto-pirata gravado num estúdio de ensaio na Ilha do Governador. Vendemos alguns discos e distribuímos outro tanto nas viagens de promoção que fizemos pelo interior de São Paulo, bancadas do próprio bolso. Alguns shows, alguns amigos fiéis, muitos fãs do ex-engenheiro, e muito estranhamento, com um repertório que falava de Ets, Alquimia, Reencarnação, Astrologia, Vida Espiritual e Nova-Era. Em Maio de 1999, fui visitar um amigo que se mudara pra Brasília. Naquela noite, sob o céu estrelado do Planalto Central, compreendi que mais uma etapa de minha vida havia chegado ao fim. No dia 11 de Agosto de 1999, dia do grande eclipse que marcou o início do período das transformações mais radicais que nosso planeta já assistiu, embarquei com minha família para Brasília, onde estamos estabelecidos até hoje. Em Brasília, abri um consultório de Astrologia e passei a me dedicar exclusivamente a esse novo ofício. Participo de programas de rádio, TV, escrevo para revistas e sites, sempre sobre a minha abordagem pessoal à “velha ciência”. No final de 2008 conclui minha graduação em Psicologia e a pós-graduação em Psicologia Junguiana. O futuro? S.D.S. ( Só Deus Sabe.) []s C.Maltz.
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