os amantes invisiveis

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Genres: rock, indie, brasil, tropicalia

About os amantes invisiveis

Pouca coisa é tão chata quanto banda nova clamando pelo resgate da memória da música brasileira. Quando passa pelo tropicalismo, fica ainda pior. Difícil um artista atual que assuma pra si influências do gênero que não exale cheiro de pó e soe afetado. A exceção da regra aparece com Os Amantes Invisíveis. Dupla brasileira radicada em Londres, Marina Ribeiro e Alexis Gotsis jogaram cinco faixas no Myspace. Soam como se a Gal Costa do álbum homônimo, de 1969, aquela que berrava dopada a letra de Divino Maravilhoso no Festival da TV Record, se juntasse ao TV on the Radio. Se o Brasil fosse um país sério, a banda estaria escalada para boa parte dos festivais do país. Até agora, são apenas as cinco músicas e pouca informação sobre o casal. Lanny soa como um tributo ao mestre da guitarra Lanny Gordin, que dividiu com Sérgio Dias durante os 60 e 70 o posto de melhor guitarrista do país. Faz tempo que não ouço nada tão bom cantado em português e sem vergonha das referências brasileiras. “Tudo é fácil pra você/tudo é fácil com você/nada tem nome… ele adora este sentimento/deu errado…”, enquanto uma guitarra rasga os falantes. Seco e direto, sem afetações. É o que deveria ser rock brasileiro, ou o que os tropicalistas chamavam em 68 de Som Universal: nacos de brasilidade com o que há de mais contemporâneo ao redor do globo. Mas aí vem aquele papo de Cansei de Ser Sexy, Bonde Du Rolê e agora Copacabana Club, inflados como maravilhas do Brasil descolado, cool, hype, de havaiana, cabelo cuidadosamente desgrenhado e calça rasgada nos fundilhos. É o indie da novela das 8. É o Dado Dolabella desfilando de camiseta do Vampire Weekend. É atriz global do núcleo pobre da malhação pagando de moderna no Clube Belfiori. Aí um casal que não faz questão de dançar feito débeis mentais com roupa dos anos 80 e bigode de funcionário de cartório acaba passando despercebido. Sorte de quem tem ouvido bom e não se furta a uns passeios pela internet atrás de música. ‘Na Cidade’ tem guitarra com fuzz fazendo papel quase de cuíca. É a zabumba do frevo plugado num bigmuff. ‘É só sambar’, de Jorge Ben, do clássico ‘Samba Esquema Novo’ (1963), vai parar em marshalls valvulados. A voz de Marina é daquelas raridades que fazem a busca por novidades valer a pena. Suave na dose certa, rasga o drive da guitarra sem sangrar. Ou sangrando na medida ideal. É assim que o rock faz. por Filipe Albuquerque, do MTV blog Galaxy

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